2006/12/05

O conceito “Gaja boa” (II)

Todas as mulheres gostam de serem cortejadas. Mas os homens também! Obviamente que as regras de convivência social dizem que um homem não chora. Sabemos que o vento é matreiro e leva uns ciscos pelos ares. E os olhos reagem mal à intrusão de corpos estranhos.

A linguagem falada e escrita constitui a mais poderosa ferramenta de sedução. Esta é a principal razão da proliferação de blogues e do sucesso dos mensageiros, com a cobertura protectora do anonimato, pelo menos no início das relações que se estabelecem, necessário pelas já faladas regras de convivência social. Mas é igualmente a arma de que se valem todos aqueles que vêm na sua existência algo mais do que os jogos de futebol e as novelas, as da quatro para quem mais gosta da irrealidade nacional e as da três para quem ainda tem paciência para a intensidade sonora de além-mar.

Todo este paleio tão sério, por evidente falta de inspiração, serve para dizer que há um grupo de pessoas, felizmente alargado, que se serve da linguagem antes da língua, sendo que muitos deles têm escaldantes relações faladas sem nunca chegarem ao contacto físico de natureza íntima.

Ora é precisamente aqui, não onde me sento neste momento, que o local de interessante tem muito pouco, excepto algumas, poucas, moçoilas que de vez em quando passam, mas aqui neste parágrafo deste texto tristonho como o tom cinzento que vislumbro à minha direita, por cima do estore, e muito embora me pareça que a chuva e o vento bem combinados com outro ambiente, esse fofo e quente, e um belo exemplar do conceito em debate, representada por quem escolhi para me acompanhar nas muitas caminhadas ao sol, ao vento, à chuva, que tenho o privilégio de dar desde que me conheço, vestida, ou, se calhar, pouco vestida, com a fatiota da neta do Pai Natal que povoa as paragens de autocarro por esta época, parece que já me perdi, pois que a combinação em causa – os elementos da natureza e a fatiota – sejam muito interessantes, é então aqui que chega a boazona.

Ou seja, após a famosa cabeçada no metal, onde se tem a sensação de ter partido qualquer coisa que, em certos animais, é feita de marfim, mas que nos humanos é puramente virtual quanto mais não seja porque, pelo menos que conste, a intensidade da dor é a mesma, com ou sem, os homens passam a ouvir certas melodias que, até então, não conseguiam descodificar. Paralelamente, algum canal ocular de banda larga terá igualmente sido desentupido, uma vez que passam a olhar com outros olhos para senhoras até então tidas como apenas interessantes.

Está, pois, descoberta a Sexy Mother Fucker, que é uma mulher capaz de usar as palavras como forma de manterem o homem num permanente estado de leveza, como se pairasse acima do chão e se alheasse do mundo que o rodeia. Este tipo de mulher percebe perfeitamente a impressão que causa no sexo oposto – e muito provavelmente nas outras SMF, mas isto já é só a minha mente galopante, entusiasmada com o assunto, a sair disparada pela pista fora – pelo que sabe perfeitamente realçar os seus dotes físicos para melhor atrair os pobres machos já desorientados. Não necessita das medidas de modelo – das mais cheias, que as anoréxicas, ou em vias de, não são para aqui chamadas – basta saber como usar as roupinhas e outros adereços para aplicar verdadeiros murros no estômago de quem com elas convive diariamente sem ter hipótese de cheirar mais do que as essências francesas criteriosamente escolhidas em cada manhã. Se, a tudo isto, juntarmos um olhar dissimuladamente provocante, daqueles que nos despe a alma, que é bem pior do que os olhares salivantes masculinos que as mulheres dizem despir-lhes a roupa, porque na realidade continuam com ela no corpo e o homem vislumbrou, no máximo, a cor do soutien, então fica aqui claramente esclarecido o conceito de “Gaja boa” (usei esta expressão unicamente porque não é fácil, na linguagem falada, substituí-la por outra que encerre o mesmo conceito; a partir de agora, e à semelhança do já feito nos textos, raramente voltarei a usá-la).

Resta referir, por hoje, duas coisas mais. A primeira é que uma mulher destas é, na maior parte dos casos, casada ou adepta de relações afectivas estáveis, pelo que se deve ter em mente que o jogo se desenvolve pelo prazer lúdico do mesmo e um avanço mais ousado pode levar a grandes mudanças provavelmente não ponderadas, isto do lado masculino, que nisto de ponderação sabemos bem quem a faz melhor (curioso, onde está “ponderação” podia estar “premeditação”, embora o caminho não seja o mesmo e este último nos possa levar bem mais longe).
A segunda referência é que há vários tipos de humor e de formas de brincar com as palavras, pelo que nem sempre um homem com jeito para o uso da língua como meio de comunicação escrita e falada encaixa numa SMF. Quando encaixa, há que esperar que a enxurrada não seja a do milénio.

2 Comments:

At 4:13 da tarde, Blogger Luna said...

e venham mais 8!!!

(estranho parecer um texto longo e revelar-se tão curto na leitura...)

beijo bem rubro

 
At 3:01 da manhã, Anonymous Anónimo said...

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