2007/01/15

Cinzentão!

Já aqui se deve ter dado conta, eu sou um desses cinzentões que gosta de números e de estatísticas e de imaginar como era isto tudo antes do big-bang e como é que o grande-grande-chefe se criou a si próprio e conseguiu impedir que outros grandes-grandes-chefes aparecem no meio de uma nuvem branca de inofensivo vapor de água, porque agora tudo aquilo que for descrito como fumo é poluição. Excepto, talvez, o dos cornos e da cauda, a quem os de Roma têm estado a dar um papel cada vez mais insignificante, provavelmente por se terem apercebido que cada vez há mais adeptos de climas quentes e exercício físico sem roupa do que adeptos de campos verdejantes, túnicas brancas até aos pés e coros celestiais.

É claro que isso é em dias em que já me apelidaram de Álvaro de Campos, muito embora, pela qualidade da escrita, eu goste mais de um heterónimo do tipo Zé dos Pedais.

Tanta prosa mal trazida ao mundo para dizer que também não vejo, no emaranhado de neurónios cruzados da parte matemática do meu cérebro, como será possível que passemos a trabalhar até aos 65 anos, enquanto continuamos a formar gente mais nova que não parece ter onde se sentar, sendo certo que não parecem dispostos a irem para o Douro cuidar das vinhas e das cerejeiras, ou para o Alentejo fazer crescer searas e semear girassóis. No entanto, estou muito longe de aceitar que cada lóbi profissional faça impor a idade para a sua reforma, ou qualquer outra forma de compensação pelo seu trabalho, em função do peso que no momento possa representar na sociedade. Se um piloto-aviador já não reúne as condições necessárias para o exercício da profissão a partir dos 60 anos, não creio que um motorista de transportes públicos também as reúna. E os exemplos são muitos e variados, desde pintores empoleirados num andaime a 20 metros do solo, até às senhoras que prestam serviços de limpeza ou vendem na feira os produtos que andaram a cuidar na terra.

Também me agrada a ideia da reforma antes dos 65 anos, com a esperança de não me ver obrigado, por razões alheias à minha vontade, a permanecer em frente à televisão o dia todo, há muito mundo lá fora para ver e muitos sectores de actividade onde encontrar ocupação, mesmo que ao sabor do estado de espírito. Bato-me, no entanto, pela igualdade enquanto cidadão de um mesmo país, sobretudo numa nação tão próxima das sociedades mais igualitárias do mundo mas tão pouco empenhada em trilhar o caminho para esse fim, que é o de olhar primeiro para dentro e formar um todo coerente e só depois olhar para fora e trabalhar em conjunto para alcançar os melhores.

4 Comments:

At 1:58 da tarde, Blogger robina said...

Que te hei-de dizer? Tens razão!

 
At 2:34 da tarde, Blogger Luna said...

Ora, nem mais!

Também não sei como mas estou certa que num qualquer dia, menos cinzentão, os teus neurónios (aos quais apelidaria de TT) te vão presentear com a resposta.

Não acreditas?!

Ah ha meu caro

No "meu tempo" ouvia "não acreditas...apalpas"

Opsss vou andando antes que retire a atenção do trilho!

 
At 11:07 da tarde, Blogger maria_arvore said...

Também não sei qual é a solução mágica mas terá de passar certamente pelo que chamas "olhar para dentro". Que opções de trabalho existem neste país ou se podem criar para permitir que as pessoas não passem a vida inteira a trabalhar e os mais jovens tenham oportunidades de emprego. Porque o que já se sabe que não funciona é encher as universidades de gente como quem produz chouriços e obrigar gente cansada e com faltas regulares por doença à custa da PDI a continuar contra sua vontade.

 
At 12:13 da manhã, Blogger Elipse said...

então já que estamos a falar a sério deixei em casa a minha heterónima e vim eu, porque com ela descamba tudo para a testicocefalia. (ah, pois...)

Pois bem, as mudanças são coisas tão assustadoras que ninguém as suporta, nem tão pouco na vidinha quanto mais numa realidade maior que acaba por interferir na primeira e que se chama país, integrado noutra maior que se chama Europa e por aí fora.....

não sei o que vai ser de nós, se quiseres falar à escala planetária, mas isso fica para quem vier, não é verdade?
da mesma maneira... os OUTROS, quem quer que eles sejam, importam sempre menos do que NÒS, criaturas eleitas como indivíduoa, como classe, como grupo profissional e por aí adiante.
Emotiva, também eu peco.
Mas, tal como tu, temo pelo que aí vem!
Depois digomais coisas...

 

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